Desconfiança no STF atinge 60% com escândalo Master

Desconfiança no STF atinge 60% com escândalo Master

Nunca tínhamos visto números tão preocupantes para a saúde democrática. Segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, 60% dos brasileiros já não confiam no trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O cenário é crítico. A desconfiança disparou no meio da tempestade perfeita gerada pelas revelações sobre o chamado caso Master.

Isso não aconteceu da noite para o dia. Se olhar o histórico, em janeiro de 2023, a confiança era quase equilibrada. Naquele momento, 45% diziam confiar na Corte e apenas 44% negavam. Agora, a balança pendeu violentamente. O pior? Esse novo recorde bateu logo após as notícias sobre supostos contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, banqueiro à frente do escândalo financeiro.

O Contexto da Queda de Credibilidade

A pesquisa foi realizada pela AtlasIntel, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo. Eles ouviram 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março. O erro amostral é de 2 pontos percentuais, o que torna os dados robustos, mas a mensagem é brutal para a instituição.

Mas espere aí. Por que esse colapso agora? O ponto de virada parece ser a percepção de envolvimento direto. Chegam a 66,1% das pessoas entrevistadas que acreditam que há ministros ligados aos crimes de Vorcaro. Não é só desconfiança genérica; é uma acusação específica de parcialidade. E tem mais: 76,9% veem "muita influência externa" nos julgamentos. Políticos, partidos, grupos de poder – a ideia de impessoalidade da lei parece ter evaporado para a maioria.

Outro dado que dói no ouvido: 62% consideram que há excesso de sigilo na condução das investigações. O segredo de justiça, quando usado em casos de tamanha repercussão, acaba sendo lido como escondejo, não como procedimento técnico.

Perfis dos Ministros no Olhar Público

Começando pelo topo da pirâmide institucional, nem todos estão no mesmo lugar, mas poucos escapam inteiros da avaliação negativa. O ministro Dias Toffoli, Presidente do STF carrega a maior rejeição. Ele é seguido de perto por Gilmar Mendes, que soma 67% de imagem negativa contra apenas 20% de positiva.

O próprio Alexandre de Moraes, centralizado na narrativa do Banco Master, tem 59% de desaprovação. Isso apesar de ainda manter 37% de aprovação. O curioso é que mesmo ministros considerados mais novos ou de outras correntes ideológicas não se salvaram. Flávio Dino e Cristiano Zanin também têm avaliações mistas, com rejeições superiores a 55%. Até Luiz Fux, conhecido por ser mais discreto, aparece com 46% de avaliação negativa.

Só existe um grupo onde o tribunal se sustenta melhor: quem ganha acima de R$ 10 mil por mês. É a única fatia populacional onde a confiança (48,5%) supera a desconfiança (45,3%). Mas a realidade dura é outra. A classe média, especificamente aquelas famílias que ganham entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, é a que mais desconfia da Corte. Para eles, a taxa é alarmante: 69,6%.

Ranking de Instituições no Brasil

Ranking de Instituições no Brasil

Vale comparar para entender o tamanho do abismo. A pesquisa mediu a confiança em 13 instituições diferentes. A polícia federal lidera com 56% de avaliações positivas. A igreja católica e o banco central ficam logo atrás, respectivamente com 49% e 45%. O STF entra nessa lista com o pé atrás.

A comparação mais dolorosa vem do lado político. O Congresso Nacional está no fundo do poço, com apenas 9% de confiança. O governo federal tem 59% de visão negativa, mas note bem: 37% ainda confiam. No STF, essa margem de simpatia caiu para 34%. As Forças Armadas também sofrem com o descrédito popular (60% não confiam).

Análise Especialista e Polarização

Análise Especialista e Polarização

O que explica esse fenômeno social amplo? Oscar Vilhena, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), conecta os pontos. Segundo ele, a relação entre o apoio a Lula e Bolsonaro continua forte e divide a opinião pública sobre o judiciário.

A polarização brasileira não é mais apenas esquerda versus direita política; ela migrou para a estrutura de poder estatal. Quando uma instituição judicial assume protagonismo em grandes questões nacionais – seja sobre eleições, seja sobre fraudes bancárias –, ela deixa de ser vista como árbitro neutro e passa a ser alvo de disputa política direta. A desconfiança generalizada reflete isso. A sociedade sente que a lei está sendo usada, não aplicada.

Frequently Asked Questions

Por que a confiança no STF caiu tão rapidamente?

O declínio acelerado está diretamente ligado ao escândalo do Banco Master e às investigações envolvendo o Ministro Alexandre de Moraes. O público percebeu supostos contatos privados entre magistrados e réus, o que minou a percepção de imparcialidade técnica da Corte em tempo real.

Quais são as instituições mais confiadas hoje?

De acordo com a AtlasIntel, a Polícia Federal é a líder com 56% de aprovação. Seguem-se as polícias Civil e Militar com 55%, e a Igreja Católica com 49%. O STF perde espaço para essas entidades operacionais e religiosas.

Como a renda familiar afeta a visão sobre o STF?

Existe uma inversão clara: quanto maior a renda, maior a confiança. Famílias que ganham acima de R$ 10 mil confiam mais do que desconfiam. Já na faixa de R$ 3 mil a R$ 5 mil, a desconfiança alcança um recorde de 69,6%.

O que o caso Master muda para a política brasileira?

O episódio reforça a crise de representatividade institucional. Com 66,1% acreditando em envolvimento ministerial, o risco é o enfraquecimento da separação de poderes, podendo instigar ações diretas da sociedade civil ou até mudanças legislativas futuras focadas na reforma do judiciário.

Avaliações (1)
Rafael Rafasigm
Rafael Rafasigm

Pelo visto as pessoas estão realmente percebendo que algo mudou lá dentro. É assustador ver esses números subirem tanto em tão pouco tempo.

  • março 27, 2026 AT 22:39
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